Sem acordo com o governo e descontentes com os resultados da reunião desta quarta (22) com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, líderes dos caminhoneiros anunciaram uma nova greve a partir da meia-noite de hoje (quinta-feira, 23).

O principal motivo foi o posicionamento negativo do governo sobre a reivindicação de uma tabela de frete mínimo, apresentada desde o primeiro movimento realizado no início de março, alegando a ação como inconstitucional.

Durante quase dois meses de negociação, Rossetto anunciou que o governo não faria uma tabela de frete mínimo, criando apenas uma tabela referencial, levando cerca de 50 representantes da categoria a abandonarem o auditório da ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre) aos gritos de “O Brasil Vai Parar“. Durante o ato, vários líderes se articulavam através das mídias sociais e mensagens de texto mobilizando a categoria.

Na tentativa de amenizar a situação, o ministro apresentou aos caminhoneiros a visão de que o governo considera a tabela de frete mínimo (no caso, uma tabela que permitiria a formalização de um valor mínimo para pagamento do transporte de cargas) um ato inconstitucional, assim como não seria funcional sua aplicação para a categoria e os envolvidos.

No intuito de evitar o início do movimento ou o anúncio da greve, Rossetto apresentou, ainda, os benefícios oriundos de todas as reivindicações atendidas: “São conquistas importantes que marcam uma nova relação entre o governo federal e o setor de transporte de cargas, em especial, os caminhoneiros. Queremos continuar esta construção de agenda positiva a partir de um diálogo permanente”, declarou Rossetto.

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Como alternativa, o governo apresentou a possibilidade da criação de uma tabela referencial, informando que esta viabilizaria uma base para a melhor distribuição de renda nas atividades do setor. Reforçando o argumento apresentado, Rossetto esclareceu que a maioria dos caminhoneiros reconhece as conquistas alcançadas após a greve e só houve desacordo sobre esse ponto, deixando em evidência o seu posicionamento no caso dos caminhoneiros iniciarem a greve: “Acreditamos que as medidas estão sendo compreendidas pelos caminhoneiros. Achamos que haverá um grande, amplo apoio da categoria. Estamos seguros da aceitação por parte da categoria. Vamos aguardar“, posicionou-se o ministro.

Segundo o deputado Celso Maldaner (PMDB-SC), que acompanhou o movimento e participou da reunião com o governo, um consenso sobre o principal ponto apresentado pela categoria não existe, e o inicio de uma nova greve é praticamente inevitável: “Infelizmente não há mais o que fazer. Agora, acho que ninguém mais segura a greve que vai começar à meia-noite porque se chegou ao limite da negociação. Estou muito preocupado com isso, porque a greve pode parar o País e isso é a pior coisa do mundo, pois os prejuízos são incalculáveis”, declarou o deputado.

Fonte: Portal Exame / Portal Folha de S.Paulo